
Os recents posts dos blogs de um colega de profissão e de um amigo de infância sobre o preconceito sofrido por seus filhos que são negros me deixaram supertristes. Triste pensar que hoje em 2011 no Brasil, onde pelo menos 50% da população é preta ou parda, o preconceito racial continue a corroer o nosso cotidiano. Triste que algumas famílias ainda considerem um escândalo o seu filho (a) namorar um negro (a). Triste que ainda tenha gente que ache que um negro atrás do volante de um bom carro só pode ser pagodeiro ou jogador de futebol.
Quando era criança, os únicos negros que apareciam na televisão eram escravos ou empregados domésticos. O meu pai, cansado dessas representações toscas, comprava revistas
importadas, principalmente a americana Ebony. Nessas revistas, havia modelos negras e sorridentes e até de casaco de pele, o que muito alimentou a minha imaginação infantil.
O tempo foi passando e fui crescendo sem grandes dramas raciais. Exceto uma ou outra piada sobre o meu cabelo ("Ih, lá vem o leão"). Mas, como eu tinha Diana Ross como padrão de beleza capilar não chegava a ficar realmente ofendida.
Mas, dia desses, eis que o preconceito voltou a bater à minha porta. E é aquela forma de preconceito mais tosca. Ou seja, a da pessoa que acha que não é preconceituosa.
Minha mãe estava com umas amigas no trabalho naquela atividade típica de mãe de mostrar as fotos da filha. Uma das colegas, ao ver a minha foto e a do meu marido, vira para a minha mãe e diz: "Ela é bonita a sua filha, mas tomara que o bebê nasça clarinho igual ao pai, né?".
Minha mãe disse que ficou tão indignada com o comentário que não conseguiu dar uma resposta à altura. Replicou apenas: "Tomara por quê?". Ficou sem resposta.