
Na França, a grande maioria das mães recorre ao sistema público de saúde para ter o bebê. As consultas são mensais, cada mês com uma equipe diferente, e, no dia D, o parto é realizado pela equipe de plantão no hospital. Tudo muito organizado, eficiente, claro, mas falta um certo calor humano. Não que eu queira que o médico me pegue no colo e me chame de "gata", mas, antes mesmo de engravidar, eu queria poder escolher um médico com quem eu pudesse ter uma certa abertura para dialogar. Afinal, não é todo dia que se tem um bebê. Acabei optando, então, por uma maternidade privada. Parte dos gastos é custeado pela seguridade social na forma de reembolso e a outra parte sai do bolsinho dos pais.
Encontrei um bom médico. Vamos chamá-lo de Dr. Coisinho. Ele tem uma ótima foto todo bronzeado no facebook, é poliglota e usa lenços de seda. Ah, o consultório dele tem ótimas revistas de decoração e design. OK, nada disso é um critério essencial, mas me diverte. Mais importante mesmo é que ele é atencioso e pronto para escutar as minhas milhares de perguntas. Na nossa primeira consulta, ao saber que eu era brasileira, ele já foi falando: "Ih, já sei, brasileira, você vai querer uma cesárea , né". Ele depois disse ficar impressionado com a banalização das cesáreas no Brasil. Eu respondi que, muito pelo contrário, eu não queria uma cesárea , mas também não queria um parto de "novela de época". Expliquei: gente gritando, cenas de desespero, improvisação etc. Claro que eu gostaria de ter um parto lindo e natural sem anestesia, sem ocitocina sintética e sem intervenções desnecessárias. Mas procuro não idealizar ter um parto como o da Gisele Bündchen que teve seu filho "sem dor", segundo ela, toda cheia de glamour na banheira da sua casa. Vou tentar ter um parto realmente natural - o médico está sabendo da minha disposição- mas, se não der, pelo menos eu sei que tentei e que não fui totalmente ignorante para a sala de parto.
Ah, é importante lembrar que o médico aqui só entra em cena mesmo na reta final mesmo. Todo o trabalho é acompanhado por uma enfermeira especializada em obstetrícia que também é a responsável pelo curso de preparação ao parto. Para ela, ligamos no momento das primeiras contrações, para ela dizemos se queremos uma peridural ou não, é ela que acompanha hora a hora todo o processo e é ela também que passa todas as dicas para aliviar de forma natural a dor. Então, tão importante quanto ter um bom médico, é ter uma boa enfermeira. A minha, vamos chamá-la de enfermeira coisinha, é animada, também aberta ao diálogo e usa muitas jóias de ouro.
Contrariamente ao fenômeno citado no blog da minha amiga Paloma, na França a cesárea programada é coisa realmente rara. Os bebês de todas as classes sociais continuam a nascer no Natal ou no Ano Novo se a natureza assim o quiser. O meu médico, aliás, me disse que ele é o campeão dos bebês do dia 1° de janeiro. Segundo a última visita, o Cardosinho, apesar do seu tamanho avantajado, não deve nascer no período das festas. Mas, seguindo os conselhos da enfermeira, eu e o Guillaume começamos o nosso check-list* das coisas que devemos levar para a maternidade. A importância de estar preparada.
*-uma camiseta para eu usar no parto (vou levar uma preta, porque preto emagrece, né)
-um gorrinho pro bebê, um body de manga comprida e uma mantinha para os momentos após o nascimento
-sutiãs de amamentação
-pijamas para mim e para o bebê
-objetos de higiene pessoal (Na lista da maternidade eles dizem que podemos incluir maquiagem. Oba! Coloquei discretamente um corretivo de olheiras e um blush e toneladas de leave-in para o cabelo)