sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Orgulho e preconceito


Os recents posts dos blogs de um colega de profissão e de um amigo de infância sobre o preconceito sofrido por seus filhos que são negros me deixaram supertristes. Triste pensar que hoje em 2011 no Brasil, onde pelo menos 50% da população é preta ou parda, o preconceito racial continue a corroer o nosso cotidiano. Triste que algumas famílias ainda considerem um escândalo o seu filho (a) namorar um negro (a). Triste que ainda tenha gente que ache que um negro atrás do volante de um bom carro só pode ser pagodeiro ou jogador de futebol.
Quando era criança, os únicos negros que apareciam na televisão eram escravos ou empregados domésticos. O meu pai, cansado dessas representações toscas, comprava revistas
importadas, principalmente a americana Ebony. Nessas revistas, havia modelos negras e sorridentes e até de casaco de pele, o que muito alimentou a minha imaginação infantil.
O tempo foi passando e fui crescendo sem grandes dramas raciais. Exceto uma ou outra piada sobre o meu cabelo ("Ih, lá vem o leão"). Mas, como eu tinha Diana Ross como padrão de beleza capilar não chegava a ficar realmente ofendida.
Mas, dia desses, eis que o preconceito voltou a bater à minha porta. E é aquela forma de preconceito mais tosca. Ou seja, a da pessoa que acha que não é preconceituosa.
Minha mãe estava com umas amigas no trabalho naquela atividade típica de mãe de mostrar as fotos da filha. Uma das colegas, ao ver a minha foto e a do meu marido, vira para a minha mãe e diz: "Ela é bonita a sua filha, mas tomara que o bebê nasça clarinho igual ao pai, né?".
Minha mãe disse que ficou tão indignada com o comentário que não conseguiu dar uma resposta à altura. Replicou apenas: "Tomara por quê?". Ficou sem resposta.

6 comentários:

  1. Infelizmente Cíntia, eu também fico sem palavras!
    Sem palavras para essas pessoas que são tão mesquinhas que julgam as pessoas pela cor!
    Convivo com amiguinhas que na idade dela (6 anos), já querem alizar o cabelo, por ouvirem omentários de parentes e até mesmo dos pais: "Ah o cobaleo dela é DURO!"
    Infelizmente, essa é a realidade desse Brasil, que é hipócrita! Pq a quem quer que vc pergunte "Vc é preconceituoso?", responde rapidamente: "Não, Deus me livre!".
    Mas fazem comentários como esse!
    É lamentável!

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  2. Nossa, Cintia. Sua mãe tem mesmo muita classe, porque eu baixava o nível.
    Me lembrou duas histórias distintas mas semehantes, de duas amigas mulatas (que parecem minhas irmãs, aliás), sobre gente louca falando que "eles" são assim "eles são assado" e, em ambos os casos, as duas entre emputecidas e constrangidas, tendo de avisar "mas EU sou 'eles'. EU sou mulata". E a resposta? "Ah, mas você é tão clarinha, né?".
    O pior racista é aquele que acha que não é porque, afinal, até conhecidos pretos e os trata tão bem. Raiva, muita raiva.

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  3. ainda bem que nasceu aquela fofura morena! lindo e parecendo pai e mãe!

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  4. Ei, aqui é Elisa Batalha!

    Manu não podia ser mais lindo...não tinha para onde.

    O exemplo aqui de casa é o seguinte: a Leila puxou o pai no tom da pele e no cabelo castanho claro meio cacheado, diferente do meu, que vc conhece. Algumas pessoas tem entonações de surpresa grande quando veem foto dela..."ué, mas é lourinha?!!"
    Sei lá, é bem sutil, mas o Alexandre percebe em alguns comentários um tom de "alívio"...
    É até engraçado, porque a Leila nasceu moreninha de cabelo preto (eu achei a coisa mais linda que já vi no planeta), e depois "clareou" (eu continuo achando a coisa mais linda que já vi no planeta). Se ela tivesse ficado roxa de bolinha branca, provavelmente minha opinião seria igual...visão de mãe é totalmente daltônica!
    Mas tem gente que é surtada!
    Vamos lançar a campanha: 'seja daltônico com as crianças, não atribua valores às cores'

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  5. Ei, aqui é Elisa Batalha

    Por que vc não me emprestou suas revistas importadas? Eu só tive melhores referências iconográficas na adolescência, quando comecei a ler Raça Brasil. Com raríssimas exceções, quando e era criança pequena mesmo, não tinha padrão de beleza em quem me espelhar...achava normal zombarem do meu cabelo...
    Ouvi muito "ah, mas vc é clarinha"!
    Irritante!

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