segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ter um bebê à francesa


Na França, a grande maioria das mães recorre ao sistema público de saúde para ter o bebê. As consultas são mensais, cada mês com uma equipe diferente, e, no dia D, o parto é realizado pela equipe de plantão no hospital. Tudo muito organizado, eficiente, claro, mas falta um certo calor humano. Não que eu queira que o médico me pegue no colo e me chame de "gata", mas, antes mesmo de engravidar, eu queria poder escolher um médico com quem eu pudesse ter uma certa abertura para dialogar. Afinal, não é todo dia que se tem um bebê. Acabei optando, então, por uma maternidade privada. Parte dos gastos é custeado pela seguridade social na forma de reembolso e a outra parte sai do bolsinho dos pais.
Encontrei um bom médico. Vamos chamá-lo de Dr. Coisinho. Ele tem uma ótima foto todo bronzeado no facebook, é poliglota e usa lenços de seda. Ah, o consultório dele tem ótimas revistas de decoração e design. OK, nada disso é um critério essencial, mas me diverte. Mais importante mesmo é que ele é atencioso e pronto para escutar as minhas milhares de perguntas. Na nossa primeira consulta, ao saber que eu era brasileira, ele já foi falando: "Ih, já sei, brasileira, você vai querer uma cesárea , né". Ele depois disse ficar impressionado com a banalização das cesáreas no Brasil. Eu respondi que, muito pelo contrário, eu não queria uma cesárea , mas também não queria um parto de "novela de época". Expliquei: gente gritando, cenas de desespero, improvisação etc. Claro que eu gostaria de ter um parto lindo e natural sem anestesia, sem ocitocina sintética e sem intervenções desnecessárias. Mas procuro não idealizar ter um parto como o da Gisele Bündchen que teve seu filho "sem dor", segundo ela, toda cheia de glamour na banheira da sua casa. Vou tentar ter um parto realmente natural - o médico está sabendo da minha disposição- mas, se não der, pelo menos eu sei que tentei e que não fui totalmente ignorante para a sala de parto.
Ah, é importante lembrar que o médico aqui só entra em cena mesmo na reta final mesmo. Todo o trabalho é acompanhado por uma enfermeira especializada em obstetrícia que também é a responsável pelo curso de preparação ao parto. Para ela, ligamos no momento das primeiras contrações, para ela dizemos se queremos uma peridural ou não, é ela que acompanha hora a hora todo o processo e é ela também que passa todas as dicas para aliviar de forma natural a dor. Então, tão importante quanto ter um bom médico, é ter uma boa enfermeira. A minha, vamos chamá-la de enfermeira coisinha, é animada, também aberta ao diálogo e usa muitas jóias de ouro.
Contrariamente ao fenômeno citado no blog da minha amiga Paloma, na França a cesárea programada é coisa realmente rara. Os bebês de todas as classes sociais continuam a nascer no Natal ou no Ano Novo se a natureza assim o quiser. O meu médico, aliás, me disse que ele é o campeão dos bebês do dia 1° de janeiro. Segundo a última visita, o Cardosinho, apesar do seu tamanho avantajado, não deve nascer no período das festas. Mas, seguindo os conselhos da enfermeira, eu e o Guillaume começamos o nosso check-list* das coisas que devemos levar para a maternidade. A importância de estar preparada.

*-uma camiseta para eu usar no parto (vou levar uma preta, porque preto emagrece, né)
-um gorrinho pro bebê, um body de manga comprida e uma mantinha para os momentos após o nascimento
-sutiãs de amamentação
-pijamas para mim e para o bebê
-objetos de higiene pessoal (Na lista da maternidade eles dizem que podemos incluir maquiagem. Oba! Coloquei discretamente um corretivo de olheiras e um blush e toneladas de leave-in para o cabelo)

Um comentário:

  1. Cintia,
    A 1ª pergunta que eu fiz à minha médica quando confirmei a gravidez foi: "Dra. como é o parto, eu quero..." e antes mesmo que eu terminasse a frase ela me respondeu: "O parto a gente não escolhe, é de acordo com o momento, com a situação, com o bebê. E outra coisa, não se preocupe, entrou, agora tem que sair!" rsrs
    O meu parto, a pesar de ter sido uma cesáriana, foi ótimo! Não senti nenhuma dor, MESMO levantei, tomei banho sozinha. Muito tranquilo!
    Que esse momento seja ainda mais fácil do que vc imagina!
    Estamos todos aqui torcendo pela chegada do Cardosinho! rsrs

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