quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Um outro cabelo é possível


Desde de dezembro de1982, data da minha primeira escova aos seis anos de idade, eu já fiz de tudo no meu cabelo: escova progressiva, chapinha, henna, henê, touca, relaxamento (adoro o eufemismo), defrisagem francesa etc. Há anos meus pobres cabelos nunca tiveram um momento de paz. Vivi por anos como uma espécie de Jason Bourne da escova. As minhas viagens eram friamente planejadas (sempre tinha o endereço do cabeleireiro mais perto do hotel) Já cheguei a pedir um transformador de voltagem em um hotel na Jordânia para adaptar à minha chapinha e devo confessar que fiz escova e/ou comprei produtos para cabelo em todos os países que visitei. Já corri pela av. Paulista num dia de chuva com uma sacola de supermercado na cabeça para não estragar a escova. Enfim, uma vida de muitos constrangimentos capilares.
Mas, eis que fiquei grávida. Ao lado da felicidade de ter um bebê, vivi momentos de tensão ao imaginar minha vida sem meus experimentos cosmético-capilares. Sem escovas e contando apenas com a ajuda da natureza e de produtos sem parabeno, tinha pesadelos nos quais me imaginava como uma espécie de Quasimodo sendo perseguida com cabelos desgrenhados por populares com tochas pelas ruas de Paris.
Passado o impacto inicial, revolvi fazer as pazes com os meus cabelos. E ... surpresa! Nunca antes da história desse país meus cabelos estiveram tão sedosos e brilhantes. Mesmo sem escova, mesmo após a praia. Merci, hormônos da gravidez! Merci, Mireille e Bianca, minhas cabeleireiras que se desdobraram para achar produtos naturais para os meus cabelos, que incluem manteiga de karité vinda especialmente da Costa do Marfim e banhos de óleo de Argan. Comprei também alguns cosméticos orgânicos, mas nem todos com excelentes resultados, admito.
Já na reta final da gravidez, voltei a usar shampoos e cremes de marcas tradicionais do mercado, mas para a alegria do meu marido que sempre incentivou meu cabelo black power, me sinto muito mais feliz com meu cabelo volumosão natural. Esse, aliás, foi o primeiro presente que meu filhinho que vai chegar logo logo me deu. Estou em paz com meus cabelos. Viva!

p.s: Claro que ainda faço escovas, mas num ritmo bem mais zen.

6 comentários:

  1. AMEI! Ainda mais que estou em fase metamorfose (quase fiquei careca), e pensei muito sobre deixar a juba-leão ao natural. Estou amadurecendo a idéia! Ler isso foi até um incentivo! rsrs

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  2. Adorei o post! Cíntia, o que fazer com cabelos brancos???

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  3. Ai, que bom ler vc de novo! Escreva muito. Beijocas

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  4. E vc tem uma sorte danada, porque não tem 1 fio de cabelo branco pra contar história... Eu fui pintar o meu, com a garantia escrita na caixa da tinta: cobre 70% dos cabelos brancos. A otária acreditou, pintou, alguns cabelos brancos ficaram vermelhos e outros permaneceram brancos. E viva a pinça!

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  5. Que demais, amei esta reconciliação capilar!
    Bisous

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  6. Sou eu, Elisa, misteriosamente no perfil do Alexandre

    Aceito indicações de produtos!

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